{Resenha} - Os Donos do Poder - Raymundo Faoro

Este livro é uma joia. Classificá-lo menos que um tesouro da mente brasileira é um injusto que não incorrerei. 

Tomei conhecimento de sua existência por meio de conversas indiretas com o livreiro, seu João, dono da Livraria Paidéia, no centro de João Pessoa. A busca por tal obra me foi motivada pela sagaz curiosidade da formação histórica, cultural, social dessa terra continental onde pisamos. Finalmente obteve sucesso e comprei-o na Livraria Cultura, que é uma fonte de livros raros.

Autor: Raymundo Faoro
Editora: Editora Globo
Páginas: 930
Sinopse:

Ensaio fundamental, acadêmico, para a compreensão da formação social e política brasileira. Partindo das origens portuguesas de nosso patronato político, o autor demonstra como o Brasil foi governado, desde a colônia, por uma comunidade burocrática que acabou por frustrar o desenvolvimento de uma nação independente. Sua análise abarca o longo período que vai da Revolução Portuguesa do século XIV até a Revolução de 1930 no Brasil. 




                                                                                             Fonte:




Faoro conduz um ensaio robusto, acadêmico, denso em suas páginas. Ele mostra uma raiz histórica de motivos, causas e consequências politicas, de ambições humanas e sorte lançada ao vento que tornaram, até os anos em que vislumbrou esse país, a situação contemporânea do Brasil.

Brasil português. Este é um dos pontos marcantes de Faoro. O Brasil é um Portugal remodelado ao tamanho continental de suas forças. A linha esta mentária insculpida acidamente no seio social é outro de seus traços marcantes e claros.


"O poder - a soberania nominalmente popular - tem donos que não emanam da nação, da sociedade, da plebe ignara e pobre. O chefe não é um delegado, mas um gestor de negócios, gestor de negócios e não mandatário. (...). E o povo, (...) que quer ele? Este oscila entre o parasitismo, a mobilização das passeatas (...). A lei, retórica e elegante, não o interessa. A eleição, mesmo formalmente livre, lhe reserva a escolha entre opções que ele não formulou”.


Para um curioso na formação aglutinadora dessa terra tupiniquim, não existe melhor caminho a não ser este para iniciar a jornada.

Este, portanto, é o primogênito dessa aventura cultural.

Espero que tenham gostado dessa minha primeira participação no Leitor Sagaz!







Antonio Joalison

Um comentário:

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